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LSIL — Lesão Intraepitelial Escamosa de Baixo Grau

Também chamada displasia leve, ou NIC 1 no seu equivalente histológico. É um dos resultados mais frequentes da citologia cervical e, na grande maioria dos casos, está relacionada com uma infeção transitória por HPV que o próprio corpo resolve.

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do seu médico, ginecologista ou parteira. O seguimento de um resultado de citologia depende da sua história clínica e deve ser decidido pelo profissional que a acompanha.
Caso real

Três campos do mesmo caso.

Citologia cervicovaginal, coloração de Papanicolau. Clique nas miniaturas para mudar de campo.

Campo 1 — coilócitos: célula com halo perinuclear bem delimitado e núcleo aumentado de tamanho e hipercromático, o achado citológico mais característico da LSIL. Campo 2 — células binucleadas (dois núcleos numa mesma célula), outro critério típico, sobre citoplasma maduro. Campo 3 — célula superficial com atipia nuclear leve entre células intermédias sem alterações, ilustrando o fundo habitualmente preservado.

Para pacientes

O seu resultado, explicado sem sustos.

É grave?

Na grande maioria dos casos, não. A LSIL é uma alteração celular leve e muito frequente. A maioria desaparece por si só em um ou dois anos, sobretudo em pessoas jovens, sem necessidade de tratamento.

Por que é que isto me aconteceu?

Quase sempre deve-se a uma infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV). É uma infeção extremamente comum — a maioria das pessoas sexualmente ativas contrai-a em algum momento da vida, muitas vezes sem saber e sem sintomas.

O que acontece agora?

O seu médico ou parteira decidirá o seguimento mais adequado consoante a sua idade, história e os protocolos vigentes — pode ser repetir a citologia dentro de alguns meses, fazer um teste de HPV, ou encaminhá-la para uma colposcopia para observar o colo do útero mais de perto. Não existe uma única resposta válida para todos os casos.

Significa que tenho cancro?

Não. A LSIL não é cancro nem uma lesão pré-cancerosa avançada. É a expressão citológica de uma infeção ativa por HPV. O risco de progressão para algo mais sério existe mas é baixo, e é precisamente isso que o seguimento médico vigia.

Numa frase: ter um resultado de LSIL é comum, está quase sempre relacionado com o HPV, e na maioria dos casos resolve-se sozinho — o seguimento com o seu médico existe para acompanhar esse processo, não porque algo esteja errado.
Causas

O HPV, em resumo.

A causa por trás da imensa maioria dos casos de LSIL, explicada com o que realmente sabemos sobre ele.

O vírus do papiloma humano (HPV) é um grupo de mais de 200 genótipos virais, dos quais cerca de 40 infetam o trato genital. Transmite-se principalmente por contacto sexual e é a infeção sexualmente transmissível mais frequente no mundo: a maioria das pessoas sexualmente ativas infeta-se em algum momento da vida.

Os genótipos classificam-se em baixo risco (associados a verrugas genitais e a alterações celulares leves como a LSIL) e alto risco (com capacidade oncogénica, associados a lesões de alto grau e, se persistirem sem se resolver durante anos, a cancro do colo do útero). A LSIL pode surgir com infeção por qualquer um dos dois grupos — o achado citológico reflete o efeito citopático do vírus sobre a célula, não diretamente o seu risco oncogénico.

A maioria das infeções por HPV são transitórias: o sistema imunitário elimina-as em um ou dois anos sem deixar sequelas. Só quando uma infeção por um genótipo de alto risco persiste de forma prolongada é que o risco de progressão para lesões de maior grau aumenta de forma relevante. Por isso existe o seguimento clínico: para identificar essa minoria de casos que não se resolvem sozinhos.

A vacinação contra o HPV, administrada idealmente antes do início da atividade sexual, reduz de forma muito significativa a infeção pelos genótipos de alto risco mais frequentemente implicados em lesões de alto grau e cancro do colo do útero — é uma das ferramentas de prevenção primária mais eficazes disponíveis em oncologia.

O que é o "Sistema Bethesda"?

É o sistema padronizado usado por laboratórios em todo o mundo para reportar os resultados da citologia cervical, de forma que um resultado signifique o mesmo em qualquer centro. Categoriza os achados escamosos em, entre outros: ASC-US, LSIL, ASC-H, HSIL e carcinoma escamoso — cada um com critérios citológicos definidos e um manejo clínico associado. É atualizado periodicamente; a edição vigente é de 2014.

Fontes

De onde vem esta informação.

Referências académicas e clínicas reconhecidas, para que possa verificar você mesmo.

  • PathologyOutlines.com — secção de citologia cervical, critérios diagnósticos da LSIL.pathologyoutlines.com
  • Nayar R, Wilbur DC (eds.). The Bethesda System for Reporting Cervical Cytology: Definitions, Criteria, and Explanatory Notes, 3.ª edição. Springer, 2015.
  • ASCCP (American Society for Colposcopy and Cervical Pathology) — diretrizes de manejo baseado no risco para resultados citológicos anómalos.asccp.org
  • Organização Mundial da Saúde — informação sobre HPV e prevenção do cancro do colo do útero.who.int
Conteúdo revisto com critério médico, para fins educativos. Se tiver dúvidas sobre o seu próprio resultado, o seu médico, ginecologista ou parteira é sempre a fonte que deve orientar os seus próximos passos.